Brenda Ligia-Cinema,TV,Teatro

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Brenda Ligia: prêmio de Melhor Atriz no festival CinePE 2017. Estreias: “Onde Quer Que Você Esteja” (longa/ Macondo Filmes SP); “Causa Mortis” (curta/ LRJ Filmes), “África da Sorte” (série/ TV Brasil), “15 Segundos” (longa/ prod.: Antonio Fagundes). Brenda está nos longas “Todas as Cores da Noite” (Pedro Severien), “As Melhores Coisas do Mundo” (Laís Bodanzky), “Sangue Azul” (Lírio Ferreira), “Bruna Surfistinha” (Marcus Baldini). Atuou nas séries de televisão “Sob Pressão” (Rede Globo), “A Mulher do Prefeito” (Rede Globo), “Beleza S/A” (GNT), “9mmSP” (Fox), “Somos Um Só” (TV Cultura). Formada em Comunicação Social na Faculdade Oswaldo Cruz/ SP. Cursou Técnico Profissionalizante em Teatro no Teatro Escola Macunaíma/SP. Em Teatro, foi dirigida por Wagner Moura na leitura dramática do espetáculo “Tchau, Querida”. Cursou Ciências Sociais na University of the West Indies (Trinidad & Tobago, Caribe) e Francês em Vevey (Suíça). Idiomas: Português, Inglês, Francês. Publicidade: Vivo, Santander, Sebrae, Coca-Cola, Mc Donald’s, Nossa Caixa, Nestlé, Nextel. Também APRESENTADORA e videomaker. CONTATO: brenda.ligia@hotmail.com

23 de setembro de 2012

Rio Vermelho

Brenda, eu entrei em desespero quando vi aquele mundo de sangue escorrendo ralo abaixo. Eu tinha andado de bicicleta o dia inteirinho, até machucar! “Minha mãe vai me matar!”, eu pensava. Naquela época, ninguém conversava sobre essas coisas com a gente. Eu nunca ia imaginar que aquilo era normal!
Aí foi a titia Islane que me chamou de canto e explicou que todo mês ia acontecer, e que eu não podia mais subir em árvore, nadar no rio... eu não podia fazer mais nada que eu gostava, porque eu tinha ficado mocinha. Já pensou?
Casei com seu pai com 17 anos; menina de tudo. Com 19, seu irmão nasceu. E eu doida com uma menininha... eu via os vestidinhos, os lacinhos... sabe? Depois de uns anos, tentamos. E veio o Arthur.
A gente já tinha desistido da menininha quando eu engravidei de novo. Era a última chance porque eu ia ligar as trompas. Só que fui engordando demais da conta... foram 27 quilos, Brenda do céu! Eu virei uma bitelona, você precisava ver que coisa horrorosa, toda inchada, parecendo uma pata.
Tive a primeira contração às 4 da tarde e fui pra Santa Casa, ali no São Dimas. Brenda... sei que eu sofri mais de 12 horas, minha filha. O Doutor Olímpio falou que só uma das duas ia sobreviver, menina. Seu pai, doidinho. Você só foi sair depois das 7 da manhã do dia seguinte! As enfermeiras que trocavam de turno às 6 ficaram impressionadas de ver que eu ainda tava lá. Urrando de dor... cada contração, nó!
Depois de muita peleja, você nasceu com 6 quilos e 100, Brenda. É... 6 ponto 1, fia. Também!,  veio rasgando períneo, rasgando tudo. Um rio vermelho... nossa senhora! Só de lembrar, olha aqui o arrepio. Todo mundo vinha perguntar: “Uai, essa não é aquela que nasceu ontem?”, “Mas desse tamanho?”. Ninguém nunca tinha visto um bebê gigante que nem você, Brenda.
Olha, filha, se não fosse lá em Ibiá, eles iam ter te botado naquele livro dos recordes, sabe? Como é que fala, em inglês? Tiveram que me costurar toda. Cê quase mata a gente... cruz credo, filha.  
 
- Por Lenda Brígia - Baseado em fatos super reais/ livre adaptação.
Mãe só tem uma. E hoje é aniversário da minha!
Dona Marizia, se teletransporte já funcionasse, meu abraço saudoso ia voar pra São Paulo e dizer “TE AMO, MAMÃE”. Parabéns!

22 de setembro de 2012

Banzo

Ao pai - Quando eu tinha 14 anos, meu pai foi transferido pra Suíça. Desde então, meu coração bombeia saudade permanente: acostumou-se ao banzo. O pensamento resgata sorrisos, histórias, momentos... lágrima besta que teima em cair. Como eu queria estar perto pra te dar um abraço agora, pai. Você me deu a vida, educação, segurança, caráter... e muito amor. Obrigada não basta para tanto. Que minhas vibrações positivas viajem milhas pelo Atlântico para te encontrar em paz; saudoso, mas feliz... FELIZ ANIVERSÁRIO, papai. Amo você, pra sempre “meu herói”.
Sua filha

19 de setembro de 2012

As garotas do privê

 Sergio Penna, Brenda Ligia, Fabiula Nascimento, Simone Iliescu, Erika Puga, Drica Moraes
Cris Lago, Sil Matteussi e Deborah Secco
Sabe quando a lembrança faz cócegas na alma e libera umas borbulhas de euforia na boca do estômago da gente? Então... que delícia trazer pra perto dos olhos quem já está no coração. As parceiras do filme Bruna Surfistinha todas reunidas no exclusivo encontro-privê na casa da Deborah Secco Flores: impossível não sorrir!
Três anos se passaram desde nossas filmagens na cracolândia, num prédio abandonado, sem eletricidade, com muitos lances a galgar antes de alcançar o set. Lá do terraço víamos o nervoso dos zumbis que vagavam como ratos no lixo, piscando seus isqueiros aos bandos. Alguns ainda eram crianças... talvez já nem existam mais.
Para além deste drama real, o que nos marcou, mesmo, foi a preparação para o trabalho com o mestre Sergio Penna, que consistia em passarmos uma temporada vivendo numa pequena casa alugada, em laboratório para construção das personagens e das relações entre elas. Nossa convivência no cotidiano do privê chefiado por Dona Larissa (Drica Moraes) foi fundamental para nos guiar pelo caminho do naturalismo em cena.
Ficamos surpresas com a profundidade que a atuação pode atingir. Dormindo, acordando, fazendo almoço, faxina, novela, balada, briga, baralho, cliente, café. Aprisionada na solidão da minha personagem, encontrei a liberdade para existir apenas; isto me conduziu a um nível até então desconhecido de interpretação. À noite, eu sonhava os sonhos de Kelly, personagem que mal existia no roteiro inicial... uma loucura inventada que só a gente entende.
 
Foram horas, dias, semanas. Momentos de vazio absoluto e dor extrema; tudo real, bruto, seco. Ninguém saía do jogo, intenso e tenso. Música! E dançavam na sala, rebolando e cantando. “Fabiula Nascimento, Cássio Gabus, Deborah Secco, Drica Moraes... o que EU tô fazendo aqui no meio dessas feras?” Concentre-se, Brenda. Espantava meu próprio pensamento, já voltando à cena, pois nosso estado de alerta constante não permitia desligamento nem deslumbre cênico.
Tudo teria ficado apenas na memória se não fosse a ilustre presença de alguém praticamente “invisível” entre as 7 mulheres  confinadas em poucos metros quadrados. Era Lara, a câmera woman discretíssima que registrava de perto os acontecimentos da casinha. São 30 horas de material captado, exclusivo e inédito. Tanta beleza de encher os olhos... tudo vivo e espontâneo, livre. 
 
Então a musa Deborah, que é o ser mais generoso que existe, depois de assistir a um trechinho do todo e salivar com gosto de quero-mais, teve a brilhante ideia e fez questão da presença de todas em sua casa... veio gente até do Araguaia! Foi importantíssimo para completarmos o ciclo (assistir às cenas depois do distanciamento) e cultivarmos o afeto.
O frisson era geral! Gritinhos e abraços sob o calor da amizade. Uma tá casada, outra tá curada, fulana faz regime, ciclana faz sucesso! Parece que foi ontem... assistir aos vídeos da casinha mexeu com a gente, de novo. Cenas duras que revelam a fragilidade humana em seu estado puro... ali vivemos tanta coisa bonita, visceral e verdadeira! Isso, intenso assim, é cinema!

Esparramadas pelo sofá, tapetes e almofadas, discutimos animadamente madrugada adentro, desejando que a noite durasse o tempo suficiente pra matar a saudade.

Sabe quando você tá cansada mas não quer dormir e até segura a bexiga cheia pra não se afastar das boas companhias e aproveitar o tempo? É assim quando a gente se encontra. Somos um time construído com amor e ternura, que é o que a gente leva dessa vida.
Obrigada, sensível Penna, por não acreditar em preparação. Nós acreditamos em você.  E creditamos a você. Com amor às minhas meninas, Brenda Ligia, a Kelly.

FOTOS DA CASINHA (preparação de elenco)
facebook Sergio Penna/ Preparação para cinema: https://www.facebook.com/media/set/?set=a.202731366410867.60963.100000220161515&type=3

Cenas do FILME - http://youtu.be/hKDkIxsY_l8