Brenda Ligia-Cinema,TV,Teatro

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Brenda Ligia, atriz. Estreias em 2017: “Onde Quer Que Você Esteja” (longa da Macondo Filmes/SP); “Causa Mortis” (curta da LRJ Filmes/PE), “Sob Pressão” (série da Rede Globo/ direção: Andrucha Waddington) e “África da Sorte” (série da TV Brasil/direção: Renata Pinheiro). Brenda está nos longas "Todas as Cores da Noite" (Pedro Severien), "As Melhores Coisas do Mundo" (Laís Bodanzky), "Sangue Azul" (Lírio Ferreira), "Bruna Surfistinha" (Marcus Baldini). Atuou nas séries de televisão "A Mulher do Prefeito" (Rede Globo), "Beleza S/A" (GNT), "9mm SP" (Fox), "Somos Um Só" (TV Cultura). Também é apresentadora e videomaker (roteiriza, dirige e monta curtas autorais). Protagonizou diversos comerciais e videoclipes musicais. Estudou no Teatro Escola Macunaíma/SP; atuou em comédias, musicais, infantis e dramas. Foi dirigida por Wagner Moura na leitura dramática do espetáculo “Tchau, Querida!”, de Ana Maria Gonçalves, no Auditório Ibirapuera (nov/16). É formada em Comunicação Social pela Faculdade Oswaldo Cruz/SP, cursou Ciências Sociais na University of the West Indies (Trinidad & Tobago, Caribe) e Francês em Vevey (Suíça). CONTATO: brenda.ligia@hotmail.com

23 de junho de 2010

Depois da tempestade

Aqui em Recife, na praia de Boa Viagem, hoje...

(em época de Copa do Mundo, todo mundo vê tv).




(link: http://www.youtube.com/watch?v=kTC2EGcL0ug)

21 de junho de 2010

Momento de Relaxamento

Um renomado (e gente da melhor qualidade) músico pernambucano chega ao salão de um shopping no Recife com o intuito de aparar suas madeixas encaracoladas. Com horário marcado por sua elegante esposa, entra e senta ao lavatório para desaguar sua ressaca cansada de sábado cedo.

Em meio a tititi feminino de cunho aleatório, perguntam-lhe se gostaria de fazer um relaxamento. Ora... claro! Topa. Inclina-se, ansioso, aguardando o relaxamento vindouro. Lavam. Penteiam. Esticam. Enxáguam. E ele lá, menos relaxado do que gostaria, mais tenso do que deveria. O efeito calmante da água aliado ao tempo de ação do produto finalmente o fazem relaxar. Zzzzz... pronto!
Anunciam o fim do relaxamento. Endireitando a postura, ele sente arrepio na espinha dorsal ao ver o risinho leve da esposa que observa, já de pé, o despertar de seu cochilo brando. Pressente um desconforto tenso, evita olhar-se no espelho, e paga os (absurdos!) cem reais que lhe cobram pelo serviço.

Inevitavelmente, olha-se no espelho e assusta-se com seu próprio susto. Ele, cabra-macho pernambucano, fora transformado num EMO, em véspera de show de abertura do São João no Recife. O desespero brota em sua alma e transcende os limites de sua expressão facial, fazendo sua mulher irromper em risos. Ele afasta a franja lisa-lambida de sua testa e mentaliza xingamentos de toda sorte.
-Me fala por que você resolveu fazer um relaxamento - ela quer saber.
-Não quero falar disso, agora - esquiva-se, murcho. Liso. Lambido. Envergonhado. Tudo, menos relaxado. Aliás, nada conseguira deixá-lo tão nervoso quanto aquele relaxamento.

2 de junho de 2010

O sapateiro

Estou envolvida até o talo com os preparativos pré-viagem. Ando com uma lista de missões burocráticas a resolver (inclui até mesmo uma visita à Caixa Econômica Federal, imagine!). Hoje, porém, respirei fundo ao ler aquele item específico: "ir ao sapateiro". Ah, pronto!


Era sabido que o sapateiro me detestava, e eu também o detestava de volta. Quantas vezes saí bufando da sapataria, porque ele fora mal-criado! Dizia que ia procurar outra sapataria e ele recusava meus sapatos. Prometi não voltar naquele muquifo, no entanto, era esse o item da minha lista burocrática, de modo que lá fui eu, rumo à sapataria como quem caminha pra forca.

Ao avistar-me, bufou. Também bufei. Rosnou. Eu também. Realmente: eu e o sapateiro não vamos um com a cara do outro! Faíscas no ar: viramos personagens de bang bang no velho oeste norte-americano... cruz credo!

Eu disse que ia viajar dentro de 2 dias, então precisava de certa pressa (querendo dizer que eu o achava extremamente preguiçoso e ficava enojada com sua má vontade para com o trabalho, os clientes, a vida). Ele disse que já tinha "aquilo tudo de sapato pra consertar antes do feriado, ó!", mostrando a pilha de calçados (querendo dizer que me achava folgada pra caramba e que ficava puto da vida com minha falta de respeito para com o trabalho, os mais velhos, a vida).

No controle comercial, ele deu a sentença: o preço superfaturado cobrado pelo serviço indesejado. Revirei os olhos e pensei na minha viagem. Respirei fundo e abri a bolsa. Olhei, pela primeira vez na vida, dentro dos olhos daquele senhor, o sapateiro, e abri a carteira e o coração. "Fique com o troco; caixinha pro senhor". Ele, então, me surpreendeu. Fez algo que eu pensava que não fosse capaz: sorriu pra mim, pro trabalho, pro dinheiro e pra vida.

Pronto: um item a menos na minha lista. Ao lado de "ir ao sapateiro", acrescentei "José Silva", seu nome, e um sorriso sem carrancas.